Um dia no Condado

By: Wagner Castilho

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Tem curiosidade de saber como é estar na vila dos Hobbits?? Embarque então nesse artigo escrito por nosso amigo Wagner Castilho que viveu essa experiência de perto…

Um dia no Condado

Quando era criança sempre me imaginei dentro dos filmes que mais adorava, não que isso seja tão diferente hoje em dia. Sempre quis fazer parte da historia, desbravar um mundo de possibilidades e, claro, conhecer os lugares deslumbrantes que mostram em muitos destes filmes. Acredito que os filmes sejam como esqueletos de um corpo, pois é esse esqueleto que cresce de forma tão atraente, fascinante, e é esse mesmo esqueleto que movimenta o corpo chamado Arte.

Um dos pontos que me faz querer entrar na tela e me integrar a historia é o cenário, a paisagem. Quem nunca quis estar por dentro da Enterprise? Ou quem nunca se imaginou dentro daquele magnífico jardim que o Edward esculpiu com suas tão famosas “mãos de tesoura”? E claro que seria mais que magnífico passar um natal se banqueteando nas mesas, sempre tão lotadas de comidas, do salão principal de Hogwarts sob um teto noturno e ainda com neve caindo, estou correto? Os cenários podem ser dos mais variados tipos de elegância aos mais tenebrosos. Sim! Acredito que amantes de filmes assim como eu tem suas vontades, também podemos chamar de sonhos, em poder fazer parte de seus filmes favoritos e de certa forma fazer sua própria historia e foi justamente um sonho realizado quando entrei por um pequeno portão e me deparei com pequenas casas em um lugar chamado “O condado”.

Durante meu tempo na Nova Zelândia sempre me vi pensando “Eu estou na Terra média”, esse pensamento é automaticamente ligado desde quando você desembarca no Aeroporto, no meu caso o “International Airport of Auckland”, quando você está a caminho da imigração já se depara com imagens fascinantes do mundo do “Anel”. Imagens que faria um fanático pelo mundo de Tolkien ficar fascinado, certamente.

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Após passar pela imigração, os Neozelandeses, também conhecidos como “kiwis”, fazem questão de mostrar que sim: a Terra Média é o pais deles. Já no saguão de entrada do aeroporto tem uma imagem que me fez cair na realidade: “Preciso conhecer cada parte desta minha fantasia”, e foi ali que me veio o primeiro pensamento de ir ao “Condado”.

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Eu estava em uma correria frenética tentando me adaptar, cumprir meu curso sem atrasos e conhecer tudo que era possível. De certa forma o pensamento “Tolkiano” meio que ficou engavetado, mas sempre presente, e foi depois de adiar por varias vezes, ( afinal a Nova Zelândia tem outras atrações e diga se de passagem que são deslumbrantes), eu finalmente resolvi fazer meu booking para a visita à casa dos carismáticos Hobbits. Tentei convencer alguns amigos a ir comigo, alguns negaram de inicio e outros ficaram de pensar e devem estar pensando até hoje porque não me responderam. Não encontrando ninguém, fui sozinho com a cara e um sonho a ser realizado.

O dia amanheceu nublado e frio pra burro, mas nem liguei!  O clima daquele país é mais doido que eu! Meu celular despertou e já levantei, o que é raro. Sempre ativo a soneca umas 5 vezes!  Tomei meu café e comuniquei aos meus hosts que iria passar o dia fora.  E foi assim que começou a minha aventura na terra dos homenzinhos de pés peludos.

“The Shire”, ou “ O Condado” ou ainda “The Hobbiton” fica localizado na cidade de Matamata aproximadamente duas horas e meia de Auckland. É uma cidade pequena e muito charmosa e, claro, cheia de turistas. Após chegar a Matamata ainda tinha uns 30/40 minutos para chegar ao local do Set de filmagens, tempo que pareceu uma eternidade. O set fica localizado entre uma fazenda de ovelhas, tão fofas. Ao chegar no set é possível ver infinidades de ônibus de excursão e pessoas agitadas. Sai do ônibus procurando as casas no chão e a arvore enorme da festa do Bilbo e, para minha decepção, não vi nada daquilo. Isso porque essa parada ainda não era a do set, mas uma loja de produtos do mundo do “Anel”, caríssimos, e também uma lanchonete onde devíamos esperar os ônibus para nos levar ao destino final, e finalmente esses benditos ônibus chegaram.

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No caminho a Guia turística foi falando curiosidades sobre o local, como que o Diretor Peter Jackson apenas estava sobrevoando o local quando viu que a região era tão parecida com as descrições que Tolkien faziam nos livros sobre o Condado e que quando ele viu uma arvore enorme ele não teve duvidas que aquele era o local perfeito para abrigar a vila Hobbiton, apenas informando que a vista das paisagens de dentro do ônibus são no mínimo lindas, outra curiosidade é que os proprietários do lugar se recusavam a ceder o espaço para a filmagem mas nem por isso o Diretor desistiu, já que nos livros o condado era um dos locais que Tolkien descrevia detalhadamente e com muitas riquezas de detalhes, além de Valfenda é claro, que Peter Jackson faria o condado ali e pronto. Quando finalmente o diretor conseguiu a autorização da utilização, foi firmado um contrato dizendo que ao termino da filmagem da trilogia do “Anel” o set teria de ser desmontado e o local ser entregue conforme havia sido antes da filmagem, e assim foi feito. Mas um fato que os proprietários não esperavam era que eles iriam receber milhares de turistas para visitar o local onde foi o Condado de um dos filmes mais premiados do cinema, e como não existia mais o condado, os turistas apenas queria ver o local mesmo sem a estrutura dos sets. Assim foi durante muitos anos até que Peter Jackson voltou a pensar na Terra Média e passar para as telonas um filme que o personagem principal é nada mais e nada menos que um habitante da vila dos Hobbits e, assim, um novo condado teria de surgir. Novo mas não diferente. Foi quando o condado foi reconstruído no mesmo local e da mesma forma que era na trilogia do anel.  Sem muita demora, no fechamento do contrato, os proprietários do local finalmente haviam decidido deixar os sets montados após o termino da nova trilogia e aberto a visitação, o que agradeço.

Bem antes de sair do ônibus já era possível ver o “Bolsão” dominando a vila dos Hobbits lá nas alturas e posso dizer que finalmente estava entrando na tela de um dos meus filmes favoritos.

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Entrar pelo mesmo lugar que o Gandalf entrou na vila foi a coisa mais engraçada do mundo para mim. Eu literalmente via a cena na minha mente! Conforme a guia falava sobre o set, mais cenas vinham em minha mente como um projetor pessoal. E isso não era só comigo: conversando com um alemão e um francês ouvi frases como “cara foi ali que aconteceu a festa do Bilbo”, ” O Gandalf encontrou o Bilbo sentado nesse banco”, “ nós estamos comendo e bebendo no mesmo lugar que Sam e Frodo?”. Estranho, mas aconteceu com muitas outras pessoas que estavam lá.

Outras curiosidades sobre o set de filmagem foram apresentadas no decorrer da visitação:

“O set é protegido por contrato com o estúdio New Line Cinema e  Warner Bros.”

“ O proprietário do local estava prestes a derrubar a arvore enorme que o Peter Jackson avistou quando sobrevoava.”

“A arvore em cima do Bolsão (casa de Frodo e Bilbo) foi retirada de um local nas proximidades de Matamata, cerca de uma hora e meia de viagem, e que no final da filmagem da trilogia do anel foi a única coisa que o proprietário concordou em ficar.”

“Os mofos nas madeiras, os lodos, os liquens em toda parte do set foram feitos por especialistas em cenários.”

“ A tenda da Festa do Bilbo são duas, na verdade. Uma Pequena para dar a dimensão de um tamanho reduzido e a em tamanho natural onde foram feitas as gravações.”

Existe muitas outras curiosidades, mas pra mim a que me deixou, talvez, decepcionado foi o fato de não ter nada dentro da casa de Frodo e Bilbo, as imagens do interior do bolsão são gravadas em estúdio e ali as câmeras apenas pegam as cenas externas da casa.

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Continuamos o tour e fomos conhecendo a pequena vila em detalhes que na TV apenas são mostrados rapidamente. Coisas como a entrada que os Nazguls usaram não foi a mesma que o Gandalf utilizou, que tudo ali é simplesmente bem montado, bem desenvolvido como se ali realmente existisse “pessoas” vivendo e que a qualquer momento uma porta se abriria e uma mulherzinha sairia para recolher as roupas que estavam penduradas no varal, que a lenha cortada iria ser pega a qualquer momento para aquecer mini lareiras, e que a horta cheia de aboboras estaria sendo vigiadas para ninguém surrupiar uma. O momento auge foi obviamente a casa de Frodo e Bilbo: pessoas queriam entrar para se certificar que não tinha nada mesmo mas ninguém foi permitido entrar, e também houve bastante movimentação na casa do Sam.

A cada passo que chegávamos próximo ao Green Dragon novas coisas me chamavam atenção. Cara, o moinho d’água tava funcionando, e uma varinha de pescar estava posicionada a espera de alguma fisgada! Simplesmente fenomenal!

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Quando entramos no Green Dragon fomos informados de que ali seria a ultima parte do tour, mas que antes poderíamos comer ou beber algo onde “Frodo e seus amigos beberam”(palavras da Guia não minhas). O Green Dragon é  fantástico, e bem quentinho. Não tinha bebidas alcoólicas, mas tinha uma bebida feita com gengibre muito gostosa e umas tortinhas que adorei.

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E foi no Green Dragon que nos despedimos da vila dos Hobbits e do Condado. Pegamos o caminho em direção aos ônibus muito satisfeitos com o tour. Um tour rápido mas pra quem é fã muito satisfatório. Depois que saímos dali ainda tínhamos outros lugares a conhecer: uns jardins nada relacionado ao mundo do “Anel”. Sai dali com uma certeza já tinha visto o que queria naquele dia e nada mais me deixaria eufórico como foi no Condado.

E logo em seguida já comecei meus planos para a terra de Nárnia, mas isso já é outro episódio….

1 Comment

  • Celly Nascimento:

    Oi, Wagner!
    Que inveja eu tenho de você. Espero um dia poder conhecer a Hobitton. E também Nárnia, aliás. Com certeza foi uma experiência inesquecível. Fiquei encantada com o apreço que a equipe teve com os detalhes, deve ter sido mágico ver uma toca de Hobbit ao vivo e em cores toda montada, tudo bem verossímil. Que você tenha outras viagens incríveis como essa (e eu também!).

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